Aspecto Genético

Todo mundo nasce com uma carga biológica cultural e social transmitida através das gerações que a precederam, confirmando as características essenciais de uma pessoa.

Isso faz com que um ser humano seja diferente do outro, que tenha raízes que o liga a seu grupo social de origem e apresente determinadas peculiaridades que, unidas ao posteriormente adquirido com seu amadurecimnto fazem dele um ser completo, e tendendo ao equilíbrio.

Todos o exposto acima configura a identidade, que permite ter uma referência como ser satisfazer plenamente frente aos outros que compõem a sociedade. Não há possibilidade alguma de mudar, substituir ou remover a identidade sem provocar danos gravíssimos no indivíduo, perturbações próprias de quem, ao não ter raízes, história familiar o social, nem nome que o identifiqu deixa de ser quem é sem poder tranformar-se em outro.

Na constante peregrinação das Avós por todo o mundo, tratávamos de saber se havia algum método específico para determinar a filiação de uma criança na ausência dos seus pais. Consultamos muitos centros científicos até que, finalmente nos EUA, o dr. Fred Allen do Hemocentro de Nova Iorque e da Associação Americana para o Avanço da Ciência de Washington, permitiu-nos realizar esses estudos. Graças a eles, encontramos um método para chegar a uma percentagem de 99,9% de probabilidade por meio de análises específicas de sangue. Forneceram valioso apoio a dra. Mary Claire King e o dr. Cristian Orrego da Universidade de Berkeley, EUA. O resultado deste estudo é denominado "Índice de Abuelidad" [parentesco de avós], em referência ao nosso pedido.

Breve explicação dos métodos utilizados para o "Índice de Abuelidad"

Durante os anos 80, foram estudados:

  • Grupo Sanguíneo e RH

  • Histocompatibilidade (HLA A, B, C, DR)

  • Pesquisa de Isoeenzimas eritrócitos

  • Investigação de proteínas plasmáticas

Na década de 90, desenvolveram-se metodologias para estudar diretamente o material genético de pessoas que participam nestes estudos de identidade. Esse é o DNA presente em 23 pares de cromossomos das células. Essas novas metodologias permitem alcançar vínculos biológicos muito maiores do que os estudos acima mncionados, mesmo nas situações em que se conta apenas com alguns poucos parentes distantes da pessoa, cuja filiação está em questão.

Que tipo de marcadores são estudados no DNA das pessoas?

Hoje em dia, os marcadores polimórficos mais estudados e consensuados entre os diferentes laboratórios no mundo, são os marcadores microssatélites ou STRs. Estão presentes em todos os cromossomos de uma pessoa, incluindo os sexuais X e Y.

Esses marcadores apresentam uma enorme variabilidade entre as pessoas. Para cada um deses marcadores STRs (exceto para os cromossomos sexuais), uma pessoa herda dois alelos ou características, um dos quais vem do seu pai biológico e outro da mãe biológica. Esses pais, por sua vez, herdaram de seus pais (ou avós biológicos) da pessoa que procura sua identidade.

Para aqueles casos em que os pais estão ausentes e encontram-se apenas parentes distantes, (avós paternos e/ou maternos, irmãos, meio-irmãos, primos ou tios), podem ser analisados, além dos cromossomos STRs não-sexuais, os STRs presentes no cromossomo Y. Esses STRs definem a linha paterna. Isso quer dizer que o cromossomo Y é transmitido de um homem à sua descendência masculina. Ou seja, se temos apenas um avô paterno e um possível neto homem, eles compartilham os mesmos alelos para o cromossomo Y. O mesmo pode ser feito com um filho homem do pai ausente, com um irmão homem do pai ou com filhos desse irmão homem (possíveis primos).

Nos casos em que se encontram presentes irmãs mulheres da mãe ausente, ou uma possível avó materna, é possível estudar a linhagem materna através do estudo de sequências de DNA mitocondrial. Este DNA mitocondrial é transmitido de mulheres a filhos tanto do sexo masculino, quanto feminino. Então, seja a avó materna ou qualquer filho dela, terá o mesmo DNA mitocondrial, que será comparado com o DNA da pessoa que procura sua identidade.

Ao estudar um grande número de STRs, sejam cromossomos não-sexuais, cromossomos sexuais e DNA mitocondrial, podem ser obtidas as probabilidades de paternidade, irmandade, parentesco por avós, etc., altas o suficiente para confirmar um vínclulo biológico.

No Hospital Durand de Buenos Aires, na República Argentina, há um laboratório que, já há algum tempo, vem realizando análises hemogenéticos para a instituição. Faz parte do Departamento de Imunologia, equipado material e profissionalmente para realizar os exames acima mencioandos. Nos últimos anos, muitos laboratórios na Argentina trabalham em estudos de identidade, participam de empresas nacionais e internacionais tanto para controlar a qualidade do seu trabalho, quanto para padronizar os sistemas mundialmente utilizados para estudos de identidade e genética forense. A ajuda da comunidade científica nacional e internacional é fundamental para se conseguir oferecer tais estudos.

É função das Avós da Praça de Maio colaborar no equipamentos do serviço de Imunologia do Hospital Durand através de doações, e igualmente fornecer os reagentes necessários para cada um dos estudos.



Banco Nacional de DADOS GENÉTICOS

Para garantir que crianças raptadas pela ditadura militar tenham a possibilidade de recuperar a identidade, desenvolvemos, em conjunto com vários órgãos governamentais, um projeto de lei encaminhado a um Banco Nacional de Dados Genéticos das famílias de crianças desaparecidas. Esse projeto foi apresentado como prioridade perante o Parlamento pelo Presidente da Nação. Foi promovido ativamente pela nossa instituição, e convertido em Lei Nacional n° 23 511 em maio de 1987. Sua regulamentação foi sancionada em 1989.

Essa lei nos permite estabelecer condições práticas que possibilitam a identificação dos nossos netos, já que é impossível saber quando serão localizados; em alguns casos serão as crianças, já adultas, que encontrarão a verdadeira história de sua origem .

Esse Banco tem a função de armazenar e conservar a amostra de sangue de cada um dos membros dos grupos familiares, a fim de possibilitar a realização dos estudos que se desenvolvam no futuro. Dada a expectativa de vida atual na Argentina, o Banco Nacional de Dados Genéticos deve funcionar, pelo menos, até 2050.



  • Tradutor: Eduardo Montesanti Goldoni